Coluna – Fênix ascendente

Coluna – Fênix ascendente

Obra sobre Paralimpíada amplia percepção sobre pessoas com deficiência

O documentário “Pódio Para Todos” estreia nesta quarta-feira (26) na plataforma de streaming (transmissão online) da Netflix no Brasil e em outros 189 países. Dirigido por Ian Bonhôte e Peter Ettdegui, o filme conta a história do movimento paralímpico. A ideia era que a obra coincidisse com a abertura da Paralimpíada de Tóquio (Japão), inicialmente prevista para esta terça-feira (25), mas adiada por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Agora, o lançamento do documentário será um marco simbólico da contagem regressiva para os Jogos de Tóquio de 2021. 

O nome original do filme é Rising Phoenix, ou Fênix Ascendente, em tradução literal. O título é explicado nos primeiros segundos do trailer, quando a italiana Beatrice “Bebe” Vio, ouro na esgrima em cadeira de rodas na Rio 2016, diz: “O meu nome era fênix porque ela pode viver, morrer, queimar e viver de novo”.

Outros nove atletas paralímpicos também estão no filme: o francês Jean-Baptiste Alaize (atletismo); o britânico Jonnie Peacock (atletismo); a chinesa Cui Zhe (levantamento de peso); o sul-africano Ntando Mahlangu (atletismo); os australianos Ryley Batt (rugby em cadeira de rodas) e Ellie Cole (basquete em cadeira de rodas); e os norte-americanos Matt Stutzman (tiro com arco), que ficou conhecido por atirar com os pés,  e Tatyana McFadden (atletismo). Esta última é também uma das produtoras da obra, ao lado de Greg Nugent e John Battsek.

O ex-presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), Philip Craven, e o ex-chefe executivo da entidade, Xavi Gonzalez, também participam do filme, que reúne imagens das primeiras edições da Paralimpíada e um depoimento histórico do médico neurologista alemão Ludwig Guttman, falecido em 1989, no qual ele explica como idealizou o movimento paradesportivo: “Quando eu vi como o esporte era aceito [na sociedade], foi lógico começar um movimento [para pessoas com deficiência] no esporte”.

Embora não tenha esportistas falando no documentário, o Brasil marca presença. O trailer mostra, por exemplo, a velocista Terezinha Guilhermina celebrando o bronze na prova dos 400 metros rasos da classe T11 (cegueira total) na Paralimpíada Rio 2016. Há imagens, também, da comemoração da conquista do ouro por equipes na classe BC3 (atletas com deficiências severas) da bocha, em que Antônio Leme, o Tó, e Fernando, seu irmão e calheiro festejaram abraçados, emocionando o público na Arena Carioca 2.

A película recordará, ainda, a tensão que antecedeu a Paralimpíada em solo carioca, ameaçada de não ocorrer por falta de verbas e em meio ao processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Faltando duas semanas para os Jogos, apenas 20% das entradas haviam sido adquiridas. No fim, o evento foi um sucesso de público, com mais de 2,1 milhões de ingressos vendidos, superado apenas pela edição de Londres (Reino Unido), em 2012.

Uma participação inusitada no filme é a do príncipe Harry, da família real britânica. Em 2016, ele participou de uma campanha, idealizada pelo diretor de marketing dos Jogos de Londres, Greg Nudgent – produtor de “Pódio Para Todos” – para comprar 10 mil ingressos da Paralimpíada Rio 2016 e distribuí-los a crianças brasileiras. Uma das frases de Harry,  duque de Sussex, que narra o documentário, foi reproduzida no trailer e ajuda a entender o mote do filme: “Vidas mudam na pista, mas também mudam nas arquibancadas”.

Em outras palavras, o objetivo é mostrar ao público o que as pessoas com deficiência são capazes de fazer e ampliar a percepção da sociedade sobre o assunto.  É o que o realizador Ian Bonhôte, um dos diretores, deixa claro em entrevista ao site norte-americano RadioTimes: “Nunca quisemos um fazer um filme para que se sentisse pena dos atletas. Por exemplo, o Jean-Baptiste é sobrevivente de guerra na África. Não queremos que as pessoas pensem: ‘Oh, pobre criança’, mas que percebam o grande herói esportivo que ele se tornou”.

“Pódio Para Todos” não é a primeira obra a retratar o paradesporto. Há duas produções brasileiras recentes que também abordam o tema e transmitem mensagens semelhantes à da obra dos cineastas Bonhôte e Ettdegui. Confira abaixo:

Paratodos

Disponível no catálogo do serviço de streaming da Amazon Prime, o filme lançado há quatro anos, na ocasião da Paralimpíada do Rio, acompanha a trajetória de esportistas paralímpicos do Brasil até os Jogos de 2016, como o nadador Daniel Dias e os velocistas Yohansson Nascimento, Terezinha Guilhermina e Alan Fonteles.

“A ideia do filme surgiu ao assistir a Paralimpíada de Londres. Eu pensava: ‘como os caras correm a um segundo do [Usain] Bolt, sem as duas pernas?’. Ou ‘como o melhor do mundo [do atletismo paralímpico, o sul-africano Oscar Pistorius, que também competiu entre atletas sem deficiência em 2012] foi vencido por um brasileiro e eu não sabia qual era o nome do Alan Fonteles? Quando se fala de paradesporto, o tema superação vem à tona, mas o que difere um César Cielo de um Daniel Dias, do ponto de vista de dedicação? Ambos treinam 10 mil metros por dia, durante uma vida toda”, disse Marcelo Mesquita, diretor de Paratodos obra, em entrevista à TV Brasil em 2016.

Um dia para Susana

O documentário relata a história da nadadora paralímpica Susana Schnarndorf, diagnosticada em 2005 com atrofia de múltiplos sistemas, uma doença degenerativa que baixa a expectativa de vida. Ex-triatleta e mãe de três filhos, a gaúcha foi bem afetada pela doença, de evolução imprevisível, durante o ciclo da Paralimpíada de 2016. A mudança de classe funcional – a atleta migrou para uma de maior comprometimento físico motor – a recolocou na briga pela vaga paralímpica, conquistada de forma emocionante. O filme, que estreou em 2018, está disponível para aluguel no Youtube.

Fonte: Agência Brasil

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